quarta-feira, 7 de agosto de 2013

domingo, 21 de outubro de 2012

IDOLOS NÃO SÃO FORJADOS


Julian Wilson é um excelente surfista. Julian Wilson é talentoso. Julian Wilson tem estampa de galã. Julian Wilson apoia causas nobres. 

O mercado tem olho clínico: não faltam razões para vê-lo como um forte candidato a ídolo, uma máquina de vendas. E os australianos não estão errados ao trabalhar para vê-lo no topo.

Volta e meia, um candidato a ídolo demora a confirmar seu posto. Outras vezes, por uma ou outra razão, jamais chega lá. Imaginem quantos ex-futuros mitos não foram aposentados pelo domínio avassalador de Kelly Slater nas últimas duas décadas?

Ainda é cedo para dizer se Julian vai se tornar um ídolo, mas é a hora certa para lembrar ao mundo do surfe de uma sábia frase de Chico Science: “deixe que os fatos sejam fatos naturalmente, sem que sejam forjados para acontecer.”

A vitória de Julian, nesta sexta-feira, em Portugal, é a derrota do surfe competição.
Gabriel Medina não escondeu sua insatisfação


A ASP construiu uma armadilha para si mesma. Pressionada, gerou um cenário tão distorcido em torno do garoto Julian – e isso não é de hoje – que não percebeu, na final de ontem, o abismo existente entre o julgamento e o mundo real.

Naquela bateria, perderam todos. 

Perdeu, em primeiro lugar, Gabriel Medina, que teve o título usurpado de maneira grosseira. A reação de Gabriel, no pódio, pode ser interpretada como um sinal de falta de maturidade, como quem diz “acostume-se a perder de formar questionável, assim é a ASP”. 

Mas sua sinceridade juvenil, ingênua, é uma arma e tanto contra esse frágil castelo de cartas. A entidade, os patrocinadores, ninguém esperava que Medina fosse manifestar, no pódio, o seu descontentamento com o resultado. O surf precisa de sincericidas.


Perdeu também Julian Wilson. Embora tenha saído com o caneco, ele consolida, sem querer, a imagem de atleta com notas grosseiramente turbinadas pelo mercado. E, cá entre nós, o australiano não precisa disso. Ainda é capaz, sim, de ser o ídolo que o mercado espera. 
Onda que valeu 10 no round 4

Mas os sucessivos “overscores” têm feito mal ao australiano. Ainda que esteja apto a manobras de alto risco, ele tem adotado uma postura notadamente conservadora em algumas ondas-chave, como a última de Portugal, confiando num julgamento benevolente.

Perdeu, ainda, o esporte. As fronteiras do surf nem sempre são delimitadas pelo recorte dos países. O garoto Medina, por exemplo, é um ídolo mundial, sobretudo para as novas gerações não contaminadas pelo vício do preconceito. Pequenos torcedores de todas as línguas – e não só a portuguesa – torceram o nariz para o campeão. 

Uma parcela significativa de americanos, europeus e até australianos lamentou, nos sites e redes sociais, o rumo tomado pelo surfe competição.  Até jornalistas aussies, como o renomado Tim Baker, foram a público no Twitter: “Não consigo explicar por que, mas Gab foi roubado. As duas ondas dele são claramente melhores que as de JW.”

Perdeu, e muito, a ASP. O resultado expõe de modo definitivo as tendências e fragilidades da entidade, além de jogar excessivo holofote sobre os juízes, que são passíveis de erro e, até prova em contrário, tentam ser corretos. Acredito sinceramente que eles tentem acertar. 

Ao construir um cenário tão desfavorável ao brasileiro, diante de um australiano, a entidade ainda vê renascer a ideia de preconceito e, sem querer, estimula a rixa entre o mundo dominante do surf e o dos “brazzos”, sem saber muito bem o que perde com isso.

Não convém seguir adiante com essa estratégia. O Brasil já é, hoje, um dos mais importantes mercados de surf do mundo. Um país em crescimento, num cenário de redesenho da economia mundial. O tal mercado, com sua mão reguladora invisível, deveria levar isso em conta na hora de equilibrar seus pesos. 

Nesta sexta, sites como o da ASP e o Surfline sofreram uma avalanche de indignação brasileira e de outros países com o resultado. Os manifestantes chegaram a criar, no Facebook, uma página de protesto chamada “Gabriel Medina roubado pela ASP”, que até a tarde de sábado já tinha mais de quatro mil seguidores.
Medina mostrou surf de campeão desde o inicio da competição

Os protestos se espalharam também entre os surfistas. “Acabei de vomitar. Estou enojado”, escreveu Fred Patacchia, no Twitter, logo após a final. Ross Williams, Joel Centeio, Nate Yeomans, Kala Alexander, entre outros, também discordaram publicamente do resultado. 

Muita gente, no entanto, notou o silêncio ensurdecedor de alguns tops, especialmente daqueles que se manifestam como arautos da justiça em ocasiões análogas. 

O que o mundo – ou pelo menos boa parte dele – quer é simples: basta que haja um jogo justo, grandes histórias, ídolos reais, disputas verdadeiras.  

No fim das contas, não importa o país, o patrocínio, a cor, a raça. Só o surf.


Por Tulio Brandão jornalista, colunista do site Waves e autor do blog Surfe Deluxe.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

COCA COLA QUIKSILVER PRIME - SAQUAREMA


Quiksilver vai patrocinar o ASP Prime de 250 mil dólares e 6.500 pontos que será realizada logo após a etapa brasileira do WCT no Rio de Janeiro
A Quiksilver confirmou o patrocínio do ASP Prime de Saquarema apresentado pela Coca-Cola este ano. A etapa com premiação de 250 mil dólares vale 6.500 pontos no ranking que indica dez surfistas para a divisão principal do ASP World Tour e será realizada logo após a etapa brasileira do WCT no Rio de Janeiro. O Billabong Rio Pro acontece de 9 a 20 de maio na capital carioca e o Coca-Cola apresenta Quiksilver Saquarema Prime nos dias 22 a 27 na Praia de Itaúna, em Saquarema, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro.
Kai Otton

O limite de 96 participantes já está esgotado e cerca de quarenta surfistas fazem parte da lista de “alternates”, ou substitutos em caso de improváveis desistências. A organização e o patrocinador do evento têm direito a indicar três convidados. Um deles será o surfista de Saquarema, Yan Guimarães. Já os outros dois “wildcards” podem ser destinados para alguns tops da elite que não fizeram a inscrição dentro do prazo, como os atletas patrocinados pela Quiksilver, com a entrada da marca no evento. A expectativa é de que até Kelly Slater possa participar.
Raoni Monteiro      por     uponboard.com

“Estamos muito felizes pelo acerto com a Quiksilver, que no ano passado apresentou o Brasil Open of Surfing no Arpoador (RJ) e agora vai patrocinar o Prime de Saquarema”, disse Sérgio Lindemann, da Adding Sports, agência que realiza estes dois eventos no Rio de Janeiro. “Já temos cerca de vinte dos top-34 do ASP Tour confirmados e outros atletas da Quiksilver podem entrar como convidados por não terem reservado suas inscrições no prazo. É o caso do Frederick Patacchia, por exemplo, mas existe até a possibilidade do Kelly Slater também competir, só que sua presença ainda não está nem oficialmente confirmada no Brasil”.
Como em todos os anos, Slater faz suspense da sua participação na etapa brasileira do WCT, mas sempre comparece, ainda mais agora que lidera o ranking do ASP World Title Race 2012. Ele sempre deixa para confirmar nos últimos dias do prazo, então fica uma nova expectativa da sua permanência para também competir no Coca-Cola apresenta Quiksilver Saquarema Prime. Porém, nem a Quiksilver do Brasil pode garantir isso no momento.

“A oportunidade de patrocinar o Prime de Saquarema surgiu meio em cima da hora, mas aproveitamos ela por se tratar de um grande evento”, falou Piu Pereira, gerente de marketing da Quiksilver no Brasil. “Sobre a participação do (Kelly) Slater ou do (Fred) Patacchia não posso falar nada por enquanto, mas os gringos gostaram bastante das ondas de Saquarema e ficaram impressionados com o swell (ondulação) que bombou altas ondas no ano passado lá em Itaúna. É um evento importante por ser Prime e certamente será disputado em alto nível”.
ELITE CONFIRMADA – Do atual grupo dos top-34 do ASP World Tour, dezenove já confirmaram suas participações no Coca-Cola apresenta Quiksilver Saquarema Prime, que será realizado também com o importante apoio da Prefeitura Municipal de Saquarema e do Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Secretaria de Esporte e Lazer. Entre eles, o australiano Kai Otton e o carioca Raoni Monteiro, que decidiram o título nas ondas gigantes do ano passado na Praia de Itaúna, também conhecida como o “Maracanã” do surfe brasileiro.
Raoni é carioca, mas há muitos anos mora em Saquarema e por pouco não festejou a vitória em casa. O encerramento do Coca-Cola apresenta Oakley Saquarema Prime 2011 precisou até ser adiado para a segunda-feira pelas condições extremas do mar no domingo, com séries instransponíveis de ondas de mais de 3 metros de altura no dia que seria o último do prazo do evento. O cabeça de chave número 1 para este ano é o australiano Josh Kerr, que no momento lidera o ranking mundial unificado, ou ASP World Ranking.
Os outros integrantes da elite já confirmados no Coca-Cola apresenta Quiksilver Saquarema Prime, por ordem dos cabeças de chave, são o número 2, Alejo Muniz (SC), depois Gabriel Medina (SP), Damien Hobgood (EUA), Heitor Alves (CE), Brett Simpson (EUA), Matt Wilkinson (AUS), Jadson André (RN), Tiago Pires (PRT), Adam Melling (AUS), Kai Otton (AUS), Raoni Monteiro (RJ), Travis Logie (AFR), C. J. Hobgood (EUA), Patrick Gudauskas (EUA), John John Florence (HAV), Miguel Pupo (SP), Kolohe Andino (EUA) e Yadin Nicol (AUS).
ASP SOUTH AMERICA PRIME – O Coca-Cola apresenta Quiksilver Saquarema Pro será a segunda etapa do ASP Prime promovida pela ASP South America no Brasil este ano. A primeira foi o Hang Loose Pro Contest em Fernando de Noronha (PE) vencido pelo paulista Miguel Pupo. E outra está prevista para outubro em Imbituba (SC) nas grandes ondas da Praia da Vila, onde no ano passado o paulista Gabriel Medina deu a arrancada para a sua entrada triunfal na elite mundial com a vitória no SuperSurf Internacional Prime, que não será reeditado em 2012.


Por Quiksilver Brasil